domingo, 14 de outubro de 2012

Palavras que falam por mim

"Ele não ligava, nem mandava mensagem durante semanas. Mas tinha uma mania sacana de aparecer quando ele já tava quase desaparecendo da minha cabeça. Era carência, tava na cara – e faltava vergonha na minha, porque eu sempre acabava cedendo. Não me dava valor e ainda ficava indignada por ele não dar também. Eu aceitava ser a última opção e ainda tinha a cara de pau de espernear e choramingar por ai usando a maldita frasezinha clichê de que nenhum homem presta. Claro que ele não ia prestar, pra que prestar com alguém que transpirava falta de amor próprio? Ninguém ama quem não se ama, ninguém respeita quem não se respeita – doloroso, mas verdadeiro. E quando você não tá na onda de ser amada, ta tranquilo - um supre a carência com o outro e fim de papo. Mas eu tava afim de sentimento, tava super na onda de mãozinha dada e ligação de madrugada só pra ouvir um ''tava pensando em você''. E claro que ele não ligava, a gente quase sempre só pensa antes de

dormir em quem causa aquele nervosinho de incerteza dentro do nosso peito – e eu tava sempre ali, um poço de certezas, não tinha porque ele pensar. Muito menos ligar. E foi ai que eu mudei. Parei de aceitar o último pedaço do bolo, se o primeiro pedaço não fosse pra mim, eu simplesmente ia embora da festa – não me servia mais. E olha só que mágico, ele nunca me chamou pra tantas festas e nunca vi alguém me oferecer tantos pedaços de bolo – a mágica só não foi tão boa porque eu simplesmente não queria mais. Não queria mais mágica, não queria mais bolo, não queria mais ele. Quando a gente passa a se valorizar a gente consegue enxergar nitidamente quanto os outros valem – e ele valia tão pouco, desencantei. Peguei meu coração e coloquei ele lá no topo de uma árvorezinha danada de alta, e vou te falar, nunca vi tanta gente disposta a escalar – homem adora um desafio. Pois bem, que vença o melhor!"

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Tudo ao seu tempo: Da dor e da cura


Li por esses Tumblrs a fora e me encantei, tudo na vida passa, e a gente há de encontrar aquele(a) , capaz de dar o que a gente precisa.

"Bruna andava pela calçada desatenta. Havia até esquecido o que ia fazer fora de casa. Chegando numa esquina, parou e aguardou o sinal de pedestres ficar verde. Olhando para o outro lado, reconheceu um rapaz que esperava para atravessar a mesma rua, mas no sentido oposto. Era Luiz, um amigo de infância, que estudou com ela desde o primário. Surpresa, já que não se viam há uns 6 anos, Bruna resolveu acenar. Luiz a reconheceu e quando o sinal abriu veio em sua direção. Bruna, que nem lembrava mais o que ia fazer na rua, acabara de achar um motivo para não andar mais a esmo.
- Luiz, quanto tempo!
- Bruna! Como vai você?
- Estou bem! E você, como está?
- Ah, tudo bem, comigo tudo tranquilo.
- O mesmo bom humor de sempre, não é? Nunca vi você reclamar de nada.
- É, acho que sim. A vida já é bem dura pra quem é bem humorado, imagina pra quem vive de mau humor.
- Que engraçado te encontrar assim no meio da rua depois de tanto tempo. Nos conhecemos há quantos anos mesmo, uns 20?
- Acho que sim, por aí. Desde o primário.
- Isso mesmo, desde o primário no colégio. Logo que nos conhecemos você queria ser meu namoradinho, lembra? Hahaha!
- Lembro, claro…
- Lembro que você fez um cartãozinho à mão, tão fofo.
- É, é verdade. Era tudo o que eu tinha naquela época.
- Na sétima série você também fez um cartão, não foi?
- Fiz, sim. Um cartão junto com um buquê de flores.
- Acho que eu era meio difícil, não é?
- Creio que sim. Isso era tudo o que eu tinha naquele momento, mas não foi suficiente pra fazer você gostar de mim.
- Acho que você foi a única pessoa que estudou comigo desde o primário. Nem imaginava que ainda faríamos o colegial juntos. No final do último ano eu lembro que você me entregou uma carta, dizendo que me amava mas que entendia que a gente não tinha nascido pra ficar juntos, algo assim.
- Foi exatamente isso. Como eu não tinha nada a lhe oferecer que você quisesse, escrevi aquela carta. Era tudo o que eu podia fazer naquele momento.
- Desculpa, não queria fazer você se sentir mal com isso.
- Não precisa se desculpar, na verdade eu lhe agradeço por isso.
- Como assim, agradecer?
- A sua honestidade. É melhor ser rejeitado do que estar com alguém que não gosta de você na mesma intensidade. Eu entendi que isso era tudo o que você tinha pra me oferecer naquele momento.
- Entendo. Mas não precisa agradecer. Segui o meu coração naquela época.
- Claro, com certeza. Foi a melhor coisa a fazer. Apesar de saber que não tinha chance, eu também segui meu coração. Infelizmente não deu certo, mas me serviu de lição que pra um amor dar certo, tudo o que eu tinha a oferecer, teria que ser tudo o que você precisava.
- Acho que sim…
- A propósito, tenho que ir, vou encontrar a Ana.
- Quem é Ana?
- Minha mulher.
- Ah, você casou?
- Sim, casamos ano passado.
- Como você a conheceu?
- Logo que entrei na faculdade. Eu estava triste, no primeiro dia no campus e ela veio conversar comigo.
- E acabaram se casando.
- Foi. Descobri que casaríamos na hora em que nos conhecemos.
- Como?
- Logo que ela me abraçou.
- Com um abraço você já sabia que casaria com ela?
- Sabia. Parece só um abraço, mas era tudo o que ela tinha. E naquele momento, era tudo o que" eu precisava.
E despediram-se. Luiz foi ao encontro de Ana. Bruna continuou andando, a esmo, sem lembrar por qual motivo havia saído de casa. Não fazia diferença. Naquele momento, tudo o que ela queria era um abraço."