A gente segue trilhando o mesmo caminho é pela esperança
de recuperar um tempo em que ser feliz era fácil, amar não fazia tão mal, e se doía,
à dor logo se dissipava com um ou dois abraços, ou apenas com um olhar de
cuidado. O tempo passa tão depressa pra seguir sempre do mesmo jeito, as
oportunidades são perdidas por tão pouco, às vezes por orgulho bobo, outras por
medo de ser feliz. Soa até estranho, mas tem gente por ai com medo da
felicidade. Existe até um pouco de egoísmo nisso tudo, não se permite viver
algo bom, ou mesmo começar de um jeito diferente, mas também não permite que o
outro siga seu caminho. Podia até ser mais leve, mais fácil, mas não, prefere
desgastar, parece que pra ver até aonde o outro aguenta. Se abster de uma
decisão é também uma forma de se posicionar, e cá pra nós, da forma mais
covarde possível. E nesse lance de romance terceiros adoram opinar, chega uma
hora que se percebe, que todos eles, em menor ou maior grau tinham certa razão.
Certas coisas não mudam quando as circunstancias mudam. O que foi construído do
jeito torto segue seu destino até que desabe. Bem, uma formula certa ninguém há
de ter, mas fica perceptível que para a construção durar tem que ser feita pelo
modo convencional. Pode ser que haja ruínas nas mais solidas construções, mas
essas costumam demorar anos e até pra sempre. Do modo não convencional, ou
torto, costuma vir com prazo de validade. E se cair, pegue o que de bonito tu
ajudou a construir e seja ainda mais feliz, agora começando de um jeito
diferente, quem sabe do modo oposto ao que tu se habituou a viver.
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